Células estaminais eficazes na prevenção de problemas neurológicos resultantes da radioterapia

Células estaminais eficazes na prevenção de problemas neurológicos resultantes da radioterapia

Um estudo inovador, realizado em Espanha, demonstrou que é possível minimizar as lesões cerebrais provocadas por radioterapia usando células estaminais mesenquimais do tecido adiposo (gordura).

O estudo, já publicado na revista científica “Frontiers in Cellular Neuroscience”, foi realizado em modelo animal e teve como objetivo encontrar uma solução terapêutica para os doentes com tumores cerebrais que, após serem submetidos a radioterapia para eliminação das células cancerígenas, acabam por sofrer danos neurológicos irreparáveis.

De forma a avaliar se as células estaminais mesenquimais poderiam prevenir os danos neurológicos provocados por radioterapia, os autores do estudo compararam três grupos de animais com tumores cerebrais: os que receberam radioterapia; os que receberam radioterapia e células estaminais; e os que receberam placebo (grupo controlo).

Demonstrou-se que as células, administradas por via intranasal, chegaram ao cérebro dos animais, que foram, de seguida, sujeitos a um conjunto de testes comportamentais. Nos vários testes realizados para avaliar a coordenação motora, força muscular, olfato e capacidade cognitiva, os investigadores – liderados pelo cientista Bernat Soria – observaram que os animais tratados com células estaminais tiveram uma performance superior aos que não receberam células, o que indica que as células estaminais mesenquimais do tecido adiposo foram eficazes na prevenção de lesões neurológicas induzidas por radioterapia.

Os resultados apresentados indicam que as células estaminais ajudam a suprimir a inflamação e a morte de neurónios após radioterapia, o que pode estar na base da recuperação neurológica observada nos animais testados. Os autores deste estudo sublinham a necessidade de continuar a investigação nesta área para melhor compreender os mecanismos envolvidos e defendem que a administração intranasal é uma forma prática e minimamente invasiva de fazer chegar células diretamente ao cérebro, num curto espaço de tempo e de forma disseminada por todo o cérebro, de modo a poderem aí exercer o seu efeito terapêutico.

Publicado em 09-10-2019

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